Liberdade proibida! Motos perdem agilidade sem cobrança automatizada nos pedágios.

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Por: Francis Vieira e Leandro Mello

Controle de tração, freios ABS, manobras aquecidas, computador de bordo, suspensões eletro/hidráulica, para-brisa elétrico, troca de marchas rápida e controle de estabilidade são tecnologias que hoje estão disponíveis em muitas motocicletas, mas o sistema de cobrança automatizada para pedágios não. A motocicleta, que oferece prazer de pilotagem, maior agilidade e o “life style” de liberdade, tem seu espirito bloqueado nos pedágios das estradas.

As motos são mais do que uma máquina de lazer. Com o transito caótico na maioria das capitais os cidadãos perdem cerca de 2 a 3 horas para ir e vir no trabalho. Muitos países adotam a moto como alternativa para evitar o este caos e incentivam seu uso como transporte. Na Europa há campanhas incentivando o uso de veículo de Duas Rodas mostrando o quanto sua qualidade de vida aumenta por ter mais tempo para família ou para lazer. Além disso, elas poluem menos, pois ficam ligadas 15 min num percurso em que um automóvel pode ficar até 3 horas ligado.

Infelizmente no Brasil a moto não é vista e tratada com a mesma seriedade de outroa países mesmo com números de vendas extremamente expressivos. Além disso, o mercado de motos no Brasil desencadeia diversos serviços gerais e contribuem no crescimento do país; no entanto, o que vemos hoje é a falta de investimentos que se estende desde a falta de vagas em estacionamento, vias adaptadas para motos, faixas de sinalização mais aderentes até tecnologias simples e bem vindas como a cobrança automatizada nos pedágios.

Quem pilota por rodovias como a Presidente, Dutra, Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Fernão Dias, Regis Bittencourt e muitas outras no qual as motocicletas pagam pedágio sabe o quanto o processo é complicado para um motociclista. Primeiramente ele deve lembrar que há um grande acúmulo de óleo na parte central nas vias da praça de pedágio e que o ideal é parar próximo ao guichê, mantendo as rodas da moto na mesma linha por onde passa as rodas dos outros veículos.

Superado o risco de queda chega a hora de começar o grande ritual. Depois de finalmente parar o piloto precisa muitas vezes até retirar o capacete para enxergar e obrigatoriamente as luvas para manusear melhor o bolso onde guarda o dinheiro. Se estiver na mochila o mais correto é descer da moto para apoiá-la sobre o banco para finalmente alcançar o pagamento, que na maioria dos casos só pode ser feito com dinheiro em espécie. Em dias de chuva o problema é ainda maior. Imagine achar o dinheiro por baixo da capa de chuva com as mãos molhadas e depois tentar calçar a luva encharcada.

Leandro Mello mora no interior de São Paulo e pega a Fernão Dias quase todos os dias de moto. Na volta para casa de uma sexta feira ou véspera de feriado todo o tempo ganho pela agilidade da moto é perdido na fila do pedágio. “é frustrante estar de moto e esperar muito tempo para chegar minha vez de pagar. A fila é tão grande que muitas vezes o carro acaba sendo mais rápido graças à opção da cobrança automática” relata Leandro.

Driblando o problema
Motociclistas que costumam viajar em grupo concentram o pagamento num único integrante para evitar transtornos e agilizar o processo, mas ainda assim o sistema é muito moroso. “Quando viajamos em grupo o primeiro sempre paga o pedágio para todos, mas isso não adianta muito, pois somos obrigados a passar um por um na cancela e o resultado é sempre o motorista do carro atrás buzinando, já impaciente”, comenta Carlos Rocha, piloto de motovelocidade e membro do grupo Insane Riders.

Segundo Arthur Cané, Presidente da ong MBM (Movimento Brasileiro de Motociclistas) e principal defensor da extinção da tinta preta de baixa aderência utilizada para cobrir faixas na pavimentação que pode colocar motociclistas em risco, o sistema de cobrança automatizado seria bem vindo para quem pilota motos. “O ideal seria se as motos não pagassem pedágios, pois não desgastam a rodovia, ajudam a evitar congestionamentos e evitariam o risco de cair no óleo acumulado, mas não dá para fugir da cobrança. Neste caso considero que um sistema automático seria muito bem vindo, pois é sempre um transtorno para o motociclista conseguir as mãos livres para realizar o pagamento e ainda aguentar motoristas buzinando e de cara feia, como se demorássemos propositalmente.”

Sobre este assunto questionamos a assessoria de imprensa ARTESP (Agência reguladora de serviços públicos delegados de transporte do Estado do São Paulo) que nos informou não ter recebido nenhum pedido de homologação deste sistema por concessionárias de rodovias e que, além de existir uma grande quantidade de rodovias que não cobram pedágio para motos, as motos são minoria nas estradas.

A resposta da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de rodovias) que defende os interesses das concessionárias de rodovias de forma compatível com o interesse nacional foi parecida; dizendo que não houve manifestação de interesse deste tipo de sistema por parte das concessionárias de rodovias e que o grande motivo é o baixo volume de motos circulantes.

O que diz as concessionárias
O grupo CCR, que controla nove concessionárias de rodovias, entre elas a Rodovia Presidente Dutra e Rodoanel que cobram pedágio para motos, também foi questionado sobre este assunto e a resposta não surpreendeu: “A CCR NovaDutra informa que não há estudos sobre a utilização de cobrança automática para motos na rodovia Presidente Dutra em função do baixo volume de motocicletas que passam pelas suas praças de pedágio”.

Dentre todas as respostas a mais completa ficou por conta da Ecopistas, que administra o sistema Ayrton Senna – Carvalho Pinto: “A Ecopistas esclarece que o desenvolvimento de novas tecnologias para cobrança de pedágio não é uma responsabilidade da concessionária, mas que enxerga de maneira positiva qualquer avanço tecnológico que possa beneficiar os usuários”. Não é de conhecimento da empresa, no entanto, a existência de estudos em andamento sobre a possibilidade da implantação da cobrança automática para motocicletas.

Para oferecer mais conforto aos motociclistas, a Ecopistas disponibiliza cabines de pedágio exclusivas para motos na praça de Itaquaquecetuba – uma em cada sentido -, por onde passa 70% do volume de tráfego pedagiado diário de motocicletas do corredor Ayrton Senna/carvalho Pinto. “Cabe lembrar ainda que a Ecopistas atende a um contrato de concessão e que qualquer alteração nos métodos de cobrança atuais deve ser aprovada pelo poder concedente.”

A Sem Parar, principal empresa do setor que oferece o sistema de cobrança automatizada também se posicionou sobre o assunto: A Sem Parar não tem nenhum tipo de projeto sobre este tipo de sistema, pois se trata de uma questão muito relacionada à demanda. As agências reguladoras precisariam solicitar este tipo de serviço para iniciarmos o desenvolvimento e muitas concessionárias não demonstram interesse por sequer cobrarem pedágios para motos.

As respostas foram unânimes sobre a quantidade baixa de motos nas estradas, mas é importante lembrar que este público que não é tão irrelevante como apontam. A frota de veículos de duas rodas em 2014, segundo o Denatran, é superior a 23 milhões, quase a metade do número de automóveis que beira os 48 milhões. Além disso, a frota de motos acima de 500cc, normalmente de uso predominantemente rodoviário, somam quase 1 milhão.

Falta de iniciativa, empurra-empurra ou falta de interesse? Enquanto as empresas e as autoridades competentes não decidem oferecer os mesmos serviços para todos os usuários das rodovias, quem paga são os motociclistas que acabam sendo esquecidos e são obrigados a conviver com este e outros transtornos!

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