Curso de pilotagem: Reporter de Duas Rodas fala de sua primeira vez na pista

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O Reporter de Duas Rodas, Vinícius Piva, 32 anos, fez o Curso de Pilotagem Preventiva Motors Company e conta como foi sua experiência ao rodar pela primeira vez num circuito sob dicas do piloto Leandro Mello.

Texto: Vinícius Piva – Fotos Bira/Sportspeed

Há muitos anos queria participar de um curso de pilotagem, vontade que veio antes mesmo de ter comprado minha primeira motocicleta quase dez anos atrás. A oportunidade demorou a aparecer, ora por motivos financeiros, ora por não ter uma motocicleta na garagem. Finalmente, consegui me inscrever no curso da Motors Company, comandado pelo piloto de testes de Duas Rodas Leandro Mello, marcado para um sábado e um domingo do último mês de dezembro.

Os três dias que antecederam o curso foram difíceis. Controlar a ansiedade é um enorme desafio para mim. Só revelei essa angustia a um amigo do trabalho, que já fizera esse mesmo curso tempos atrás. Ele tratou de me acalmar e me preparar para aproveitar melhor o que viria. Fui com uma Yamaha XJ6N, dócil e fácil de conduzir no circuito travado de Piracicaba (SP).

No fim da tarde de sexta-feira começou a chover e não parou mais até a hora da saída, às 6h de sábado. A esperança era de tempo firme no interior, até porque chuva não é algo frequente por lá. Claro que bateu um desânimo: chuva justamente no fim de semana mais esperado dos últimos tempos? As nuvens carregadas ficaram do lado de fora da sala onde o piloto Leandro Mello, com um sorriso no rosto, recepcionava a turma. A previsão do tempo prometia céu aberto no início da tarde e ficamos na torcida.

Com quase 40 alunos na sala, começaram as orientações técnicas, sempre acompanhadas de muitas perguntas. Para minha sorte, o grupo era bem participativo, o que enriquece ainda mais o aprendizado. Enquanto estávamos secos dentro de um espaço com ar-condicionado, um instrutor voltava da pista molhada com a informação que todos esperavam: “O asfalto tem aderência e boas condições para rodar”. Claro que todos ali queriam aprender no seco, mas ninguém reclamou.

Os alunos foram à pista atrás dos instrutores, sete no total. Em seguida, foram divididos em duas turmas para que os guias pudessem acompanhá-los mais de perto. A precaução por conta da chuva era maior, mas não nos impedia de colocar as técnicas em prática. Pouco a pouco a confiança aumentava e a evolução aparecia em cada nova saída à pista – e foram muitas. Os instrutores são fundamentais nesse processo. Eles nos seguiam observando traçado e postura, depois ultrapassavam e se fosse necessário paravam a moto e davam dicas objetivas para melhorar a pilotagem.

Depois do almoço, mais aprendizado em sala de aula seguido de mais tempo de pista para aplicar os novos conhecimentos. Era treino atrás de treino, ainda debaixo de chuva. Para nossa alegria, no meio da tarde parou de chover e a pista ficou em melhores condições. Deu para aproveitar um pouco mais, só que aí o sábado estava chegando ao fim. As esperanças se renovaram para o domingo, que prometia tempo seco.

No limite

Quando acordei, corri para a janela e vi o céu com algumas nuvens, nada de água. Alívio. E fomos para mais um dia de aprendizado com teoria em sala de aula e prática. O próprio Leandro Mello se antecipou e disse que o dia poderia ser mais proveitoso porque já tínhamos aplicado os conhecimentos em uma situação extrema. Foi exatamente isso o que aconteceu. O domingo fluiu e o processo de evolução ficava evidente. Andamos tanto que me cansei e parei o treino pouco antes do fim. O desejo era seguir na pista, só que o meu limite físico tinha chegado e não era prudente querer superá-lo.

Minha missão do fim de semana estava cumprida. Ouvi orientações interessantes sobre postura em cima da moto, como trabalhar braços e pernas, a maneira certa de me portar em curvas e em frenagens, além da técnica do contra-esterço, fundamental para a pista, bem com para o dia a dia. E o melhor de tudo isso é que pude aprender na sala de aula e praticar minutos depois. Também é válido citar as dicas de manutenção e equipamentos de segurança que recebemos. Conscientização é parte do curso.

Tive tempo para andar na garupa da moto especial do Leandro Mello, sensação quase indescritível. Foram duas voltas de adrenalina lá no alto. Não tive medo porque simplesmente confio no talento do piloto e tenho consciência que ele sabe o que está fazendo. A empinada na reta a mais de 100 km/h e a derrapada na entrada da curva 1 ficarão para sempre marcadas na minha memória.

No fim da tarde de domingo a sensação, mesmo com o esgotamento físico, era das melhores. Aprendi técnicas de pilotagem na teoria e coloquei em prática numa pista fechada, o melhor e mais seguro dos ambientes. Entendi de uma vez por todas que pilotar uma motocicleta requer respeito do homem com a máquina. Isso não significa ser conduzido por ela, mas conduzi-la com harmonia e docilidade. Compreendi também que deve existir uma sintonia fina entre razão e emoção e entre a mente que gera os impulsos e o corpo que conduz a motocicleta.

Impossível ficar indiferente ao clima de generosidade e amizade que imperou nesses dois dias. A troca de informações entre os participantes e a ajuda constante tornam o motociclismo um esporte realmente diferente. E viciante.

Peguei a estrada de volta para casa realizado. Com o certificado de participação na mochila e a certeza de que este foi apenas o primeiro passo. Não vejo a hora de encarar uma clínica de reciclagem e depois participar dos outros módulos mais avançados.

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