Uma grata surpresa! Foi assim o encontro com Lorenzo

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Quero compartilhar a maior satisfação que tive na vida como piloto! Tive o enorme prazer em pilotar com o tetra campeão mundial Jorge Lorenzo! Confesso que eu tinha até um pouco de desprezo por ele, mas serve de lição para a vida não julgar uma pessoa por apenas um único contato que teve com ela. Ontem ficou claro que existe um ser humano no piloto que, muitas vezes, não aparece na tensa busca pelo disputadíssimo título mundial.

Ele me disse que nas corridas as únicas coisas que pensa é em tudo para ganhar e não quer que nada o atrapalhe. Uma entrevista realizada justamente neste momento de concentração cria uma imagem errada sobre a personalidade do piloto.

é claro que temos dias bons e ruins, mas meu dia ontem foi mais do que ótimo. Fiz reportagem de forma calma, pois não era tão fã como sou do Valentino e com isso consegui ser mais profissional! Já deixo claro de forma alguma me comparo ao nível desse piloto, que vai muito além do meu talento, técnica e treinamento; no entanto, eu tinha vantagem de conhecer muito bem a pista e de ser uma moto completamente diferente para Lorenzo.

Depois das perguntas para o programa Auto Esporte, convidei Lorenzo para andarmos na pista do Velo Città e fomos para as primeiras voltas. Eu fui à frente para dar referência, já que é um traçado difícil e extremamente técnico!

Eu estava possuído pela emoção e ver ele atrás de mim me empolgava e sai acelerando forte. Como conhecia a pista abria vantagem e tinha que aliviar, mas eu via um competidor nato levando a brincadeira muito mais a sério do que precisávamos. Depois de quatro voltas sinalizei para ele passar e pensei, não posso deixar abrir nenhum metro, pois qualquer distancia e eu nunca mais o pegaria. Lorenzo ainda se atrapalhava com a pista e consegui colar. Cada vez que ele olhava para traz e me via perto sua agressividade aumentava e ele pilotava uma forma cada vez mais radical. Nunca vi um piloto com uma tocada tá forte e sua zona de conforto é acima do limite da motocicleta. Ele usou a pista inteira até o final da zebra e, por duas vezes, o começo da grama também!

Logo ele parou e falou serio: “Sua moto está andando mais que a minha, troca agora comigo.” Confesso que aquilo mexeu com um lado meu que havia esquecido; o leão dentro de um velho atleta aposentado! Peguei a moto que não estava tão amaciada e fui atrás dele com a faca nos dentes. Fazia tempo que não me dispunha a conseguir uma coisa no custe o que custar.

Andamos mais duas voltas como se estivéssemos disputando um campeonato curva a curva e foi sensacional! Ele parou novamente indignado por não estar me dando pau e me perguntou em que giro eu estava trocando de marcha, eu disse que era a 13.000 rpm, ele balançou a cabeça e falou é por isso, estou trocando a 9.000 rpm. Logo a direção do Auto Esporte parou falando que ele tinha que voltar para a moto azul e eu para a vermelha, para dar continuidade às cenas do início.

Nunca tinha visto um cara tão competitivo na vida. Lorenzo pediu outra R3 azul, pois a outra não havia gostado e a equipe da Yamaha logo correu e trouxe outra. Ele me falou que eu também tinha que ir com uma nova. Eu, que ainda estava eufórico com tudo aquilo, falei que não estamos lá para disputar e sim gravar. “Só faltavam duas voltas para terminar e você tem 43 kg a menos do que eu” disparei e ele saiu contrariado acelerando tudo que podia e eu tentando acompanhar.

Neste momento várias vezes a imagem congelava na minha mente e eu me emocionava. Pude ver uma das pilotagens mais lindas e, com certeza, mais agressiva da minha vida. Ele ralava o cotovelo na minha frente em quase todas as curvas eu tentando ir atrás, escorreguei de frente, de traseira, quase fui para grama e ele foi abrindo um pouco.

Logo paramos, eu exausto e ele rindo. O lado piloto dele tinha acabado e vinha o pessoal de um cara que tinha acabado de se divertir muito. Rimos, falamos de detalhes dos pegas, das suas escorregadas e de muito mais, sua alegria foi irradiante. Sai totalmente fã da pessoa que eu menos gostava do mundial.

E no final o melhor ainda me aguardava. Durante a coletiva de imprensa com jornalistas que não sabiam da gravação que fiz com Lorenzo, perguntaram se ele tinha andado na pista e na moto e Lorenzo respondeu: “Tive a oportunidade de andar com o Leandro, um piloto extremamente rápido e não estava conseguindo andar junto com ele. Peguei a moto do Leandro e mesmo assim estava difícil. Depois ele me ensinou o traçado e a forma de pilotar a motocicleta e dei 8 voltas de muita diversão.”

Ouvir isso com a humildade que ele teve e me chamar de seu professor me fez engasgar de choro por três vezes. Como disse, foi a melhor gratificação que tive como piloto! E para morder minha língua e de muitas pessoas, hoje sou fã de carteirinha desse piloto!

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